quinta-feira, 22 de maio de 2014

Educação no tempo atual...

Será possível que crianças vivas, educadas em famílias cada vez mais democráticas (e que, por isso, não crescem confundindo medo com respeito), cada vez com menos tempo para brincar, com menos espaço nas suas casas e nos seus bairros, com mais compromissos escolares (que, se os pais utilizarem toda a oferta que a escola lhes disponibiliza, podem lá estar 55 horas por semana) sejam ainda mais sossegadinhas? Não estaremos a esticar, de tal forma, a vitalidade das crianças que, expondo-as a um stress cumulativo tão absurdo, só as podemos tornar agitadas para que depois, como quem tenta concertar estragos a correr, as tentemos sossegar com uns aditivos químicos? Acho que sim.
Será razoável que, por tudo e por nada, se diagnostique hiperatividade nas crianças e, em consequência disso, sejam medicadas, anos a fio, com intervalos de «desintoxicação» durante as férias, sem que se ponderem os efeitos secundários que uma tal utilização tem? Não. Ainda assim, existem crianças hiperativas? Sim. Como se manifestam, então, essas crianças doentes? Com uma agitação hemorrágica, estejam onde estiverem ou quem estiverem, que as faz, em cada momento, esvaírem-se em angústia como se, ao serem paradas, parecessem soçobrar e morrer. Serão essas as que parecem amigas do bicho-carpinteiro? Não..
 - Eduardo Sá. Foto de Eduardo Sá


“Damos cada vez menos espaço para os nossos filhos brincarem em liberdade, com amigos verdadeiros, para fazerem asneira, para esfolarem os joelhos. É que a brincadeira promove um desgaste físico saudável que lhes dá a tranquilidade necessária para depois desenvolver a atenção e a capacidade de aprendizagem. Privilegiamos antes as "tecnologias", encharcamo-los em ipads, iphones, tablets... desde tenra idade, antes mesmo de saberem ler ou escrever já aprenderam a "teclar", e achamos que com isso lhes estamos a desenvolver a inteligência. Nada mais errado! Colocar um telemóvel, ou uma tablet na mão de uma criança antes da idade escolar, é sujeita-los a ruídos e a estímulos visuais que ela ainda não pode compreender. O corpo fica parado quando devia estar em movimento e a mente é constantemente estimulada quando devia estar tranquilamente a assimilar aquilo que aprendeu na escola e em casa. Depois queixamo-nos que não param quietos quando é preciso estarem quietos...PUDERA!”
Ana Maria Sequeira




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