sexta-feira, 20 de dezembro de 2013


NATAL: de que nos lembramos?

A professora pega no giz e escreve no meio do quadro, com grandes letras, NATAL. Depois vai à secretária buscar a caixa com o giz de cor, abre-a e, com um olhar convidativo, coloca-a na primeira carteira da primeira fila. Em seguida, senta-se e olha, na expectativa, para os alunos.

Primeiro estão todos muito calados. Depois, Tina levanta-se e pega no giz vermelho. Escreve no quadro Pai Natal. Muitos riem-se em voz alta; a professora sorri satisfeita. Agora, Sabina vai ao quadro e escreve com giz verde: árvore de Natal. Precipitam-se então mais crianças e começa uma verdadeira luta pelo giz de cor. Aparecem cada vez mais palavras no quadro: velas, doces, bolas, Menino Jesus, lista de prendas, neve, papel de embrulho, festa de Natal, prendas de Natal.

Algumas aparecem uma vez, outras duas, três. Bolo até quatro vezes. Por fim o espaço acaba .

É disto que nos lembramos no Natal! — diz a professora, e lê em voz alta, juntamente com as crianças, tudo o que escreveram. Em seguida pergunta:

— E onde é que vamos escrever agora o mais importante? Que Jesus nasceu num estábulo.

— Isso não precisamos de escrever! — diz Cristina. — Qualquer um de nós sabe.

— Mas, no momento de escrever, esquecemo-nos! — responde Tomás, pensativamente. — Quatro vezes bolo, e nem uma única vez algo sobre o nascimento de Jesus…

— E por causa de todas as outras coisas, por causa das prendas e dos doces, agora já não há lugar — observa a professora.

Mas Susana vai ao quadro e apaga tudo o que os outros escreveram. Só deixa a palavra NATAL. As outras crianças acenam com a cabeça, concordando. Quando Susana se senta, só existe esta palavra no quadro.

Ninguém precisa de escrever que se festeja o Natal para lembrar o nascimento de Cristo. Na turma, agora, todos sabem.

Rolf Krenzer, Lesebuch der Jahreszeiten, Herder 1993

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